Vale do Reno Parte II - Burg Reichenstein e Burg Sooneck : Os Castelos dos Barões Gatunos

Burg Reichenstein


Na Idade Média, o Rio Reno desempenhava um importante papel no comércio mundial , servindo como uma via natural para o transporte de mercadorias. Na sociedade de costumes feudais eram bastante comum que o senhor outorgasse a terceiros o direito de recolher impostos e taxas sobre as embarcações que navegassem em águas pertencentes aos seus domínios. Assim, era muito comum construir fortificações que tivessem como objetivo garantir que os comerciantes pagassem o tributo cobrado, utilizando a força se necessário.

O Burg Rheinenstein foi construído nesta época. por volta do século XII. É um castelos mais conhecidos da região, graças a uma peculiaridade bem interessante da sua história. Entre seus primeiros proprietários no século seguinte, estavam um conhecido grupo de barões, liderados por Dietrich von Hohenfels, que se aproveitaram da sua condição de vassalos da Igreja para extorquir a população e comerciantes, cometendo diversos crimes por  toda a região durante várias décadas.

Foi somente com a restauração da monarquia alemã, em 1282. que o Rei Rudolph destruiu o castelo e mandou decapitar  os ladrões em um local próximo a Capela de St Clemente. O Rei ainda deixou a ordem de que o castelo não deveria ser jamais ser reconstruído. Apesar disso, em 1344, o Rei Ludwig II concedeu a possa das ruínas para o Arcebispo de Mainz que reconstruiu parte do castelo que prosperou novamente por um longo período, após o qual foi sendo progressivamente abandonado e até novamente em ruínas no século XVI.

Seguindo o movimento de revalorização romântica do passado no século XIX, o Burg foi restaurado em estilo gótico inicialmente por Franz Wilhelm von Barfuss, quando então  a propriedade foi adquirida pela família Kirsch-Puricelli que residiu no local entre 1902-1936 e ainda mantém a posse do complexo até os dias atuais.

A Visita


O primeiro diferencial que se percebe entre o Reichenstein e os demais castelos dessa Região é a facilidade de acesso. De carro, é possível subir com o carro até a porta de entrada do complexo, que inclusive possui um bom estacionamento.









As visitas são do tipo não-guiadas, mas está incluso no ticket de entrada um folder com algumas explicações em inglês sobre a história e localização dos principais atrativos do castelo.



 A visita começa pelo terraço, com belíssima vistas do Reno incluindo um espetacular vinhedo abaixo do castelo da época medieval, além de dois canhões da época antiga.












Adentrando a parte do castelo transformada em Museu, logo salta os olhos a imensa coleção de chifres e cornos de cervos, assim como outros animais de chifre, bem compatível com  com o gosto pela caça dos nobres da Região.





A decoração, aliás, é toda baseada em móveis de época, pretendendo recriar a atmosfera de uma família nobre do início do século passado, desde as luxosas mobílias , salas de leitura, jantar até as fotos de família e roupas utilizadas pelos antigos habitantes, o que dá um ar todo especial à visita.







No local funciona ainda um hotel e o espaço pode ser reservado para eventos privados. Quando lá estivemos, parecia que uma festa de Halloween estava sendo esperada para os próximos dias. Os fantasminhas locais deveriam estar ansiosos por este evento... ;-) 



Burg Sooneck


Sem ainda precisar cruzar para a outra margem do Reno, chegamos ao  último castelo do dia que havíamos programado visitar : o Burg Sooneck. A história desse castelo é quase que idêntica a do anterior. Foram construídos  na mesma época e também passou um longo tempo sob domínio de barões ladrões, sendo inclusive destruído pelo mesmo Rei Rudolph.. Anos depois,  no século XIV, chegou a ser reconstruído, mas foi completamente arruinado em 1636 pelas tropas francesas na Guerra dos Trinta Anos. 


Vista do acesso ao Burg Sooneck

Sua reconstrução no modelo atual iniciou-se em 1834 pelo então príncipe e futuro Rei Frederick William IV. O monarca parecia realmente gostar de Castelos, pois foi responsável por reconstruir ainda um outro castelo da região : o Burg Stolzenfels e o magnífico Burg Hohenzollern, que já mostramos por aqui. Após a 2ª Grande Guerra, no entanto, o Burg Sooneck foi nacionalizado e sua propriedade foi repassada para o Governo da Alemanha.

A visita


Esse foi o castelo que menos conseguimos encontrar informações online nas pesquisas antes da viagem, portanto não sabia bem como faríamos para chegar nele. Aliás, olhando o site oficial da atração agora, continua sem muitas informações a respeito de meios de acesso.

Coincidência ou não, foi o castelo mais difícil de se chegar nesse dia. Apesar da estrada que dá acesso estar em excelente condições, fica em uma região montanhosa um pouco escondida, com muita vegetação e estradas secundárias, o GPS às vezes se confundia e a sinalização não ajudava muito. Se de carro não estava tão fácil, imagino para quem esteja utilizando o trem ou barco. Melhor pular para o próximo se não estiver afim de uma boa caminhada montanha acima.

Depois de nos perder por essas estradinhas, encontramos uma placa que indicava a entrada do castelo. Estacionamos o carro praticamente na beira da estrada mesmo e seguimos uma curta trilha até darmos de cara com uma charmosa ponte elevada, torres pontiagudas e bandeirinhas tremulando no alto dos telhados. Uau!!! Mal podíamos esperar para visitar esse pedacinho da Idade Média.

A entrada


O Castelo



Porém, como em um castigo dos Deuses por não ter feito o dever de casa direito, um dos piores pesadelos de qualquer viajante nos aguardava naquela ponte. Sim, ela mesmo, a famigerada porta fechada, aquela terrível sensação de tentar girar a maçaneta e perceber que ela não se move. 

Ponte elevadiça com o portão fechado
Já reparou que não acreditamos quando isso acontece? Procuramos um guichê aberto, uma placa com uma seta, um sinal de fumaça qualquer para nos mostrar o que fazer. Nada, apenas um papel com um aviso escrito em alemão. Nada animador para quem não sacava nada de alemão (e ainda hoje sei bem pouco). A sorte foi que logo outros dois desavisados turistas que apareceram por lá, bateram na porta, leram o aviso, falaram algo em alemão que não entendi, deram as costas e foram embora.

Ficou bastante óbvio que não ia ter jeito. Era Segunda-Feira e o castelo estava fechado, mas a lição foi aprendida, hoje em dia sempre coloco no meu roteiro detalhado o horário de abertura das atrações. Felizmente,  podíamos pelo menos tomar a estrada mais cedo e aproveitar um pouco da cidade seguinte , a pequenina Bacharach. Até o próximo post!!!