[Europa 2013] Dias 7 e 8 : Rheinpfalz : Entre as catedrais e o vinho


Rheinpfalz : Entre as catedrais e o vinho


A região hoje dividida entre os estados de Badden-Wuttenberg e da Renânia-Palatinato, outrora formavam um único território  conhecido como o Palatinato Renânio, ou Rheinpfalz, uma das mais importantes regiões eleitoras do Sacro Império Romano-Germânico.

A região é hoje uma das principais produtoras do consagrado vinho branco alemão, o Riesling. A estrada que liga Schweigen-Rechtenbach a Bockenheim , conhecida como Rota do vinho (Deutsch Weinstrasse)  é uma das mais famosas rotas vinícolas da Europa, também presentes na estrada que liga Worms a Mainz, margeando o famoso rio Reno. Além do vinho, a região abriga os mais belos exemplares religiosos de arquitetura românica na Alemanha, as catedrais de Speyer, Worms e Mainz, três das principais cidades da região, que conheceremos a seguir.

Speyer - A catedral e a feira de Natal

Para quem está hospedado em Heidelberg, Speyer fica a pouco mais de uma hora de distância, perfeita para uma visita do tipo bate-e-volta. Como estava na época natalina, aproveitamos a visita à cidade para  conhecer uma autêntica feira de Natal alemã, uma das únicas que permanecem abertas mesmo após o Natal. Chegamos no início da noite e deixamos o carro no imenso estacionamento ao lado da Catedral de Speyer, a primeira grande catedral românica que visitamos na região e também a que se mantem mais fiel ao estilo original.

A igreja, cuja data de construção remonta ao ano  de 1025, estava lotada para a missa dominical e parece que a população inteira da cidade estava naquele lugar. Por sorte, chegamos no finalzinho da cerimônia e não tivemos problemas para  passear tranquilamente pelas suas galerias depois da multidão ir embora. O que mais me surpreendeu foi a fachada  da Catedral, totalmente diferente de tudo que já havia visto, uma verdadeira viagem ao tempo da Roma antiga, somente lá pude compreender o que significava a beleza do estilo românico.



Fachada românica da KaiserDom de Speyer

Presépio de Natal

A outra surpresa da noite estava reservada na rua em frente à Igreja. A feiras de Natal são uma tradição na Europa, especialmente na Alemanha, várias barraquinhas ocupam ordenadamente as ruas impecavelmente coloridas pelos enfeites de Natal. Os visitante  podem, então, se deliciar com várias comidas e bebidas típicas diferentes, além de muitas lembrancinhas de Natal de qualidade. E vamos combinar que a fumaça das churrasqueiras tem uma atração irresistível para nosso paladar brasileiro. Tem churrasquinho de todo jeito : carne de gado, porco e, claro, salsicha, de todos os tipos. Se essa não for sua praia, não tem problema, existem muitos outros pratos feitos a base de massas e molhos. Bem light, não? Para beber, o mais comum é uma bebida quente feito a base de vinho. Deliciosa por sinal! E para fechar com chave de ouro, nada melhor que um waffer recheado de nutella.

Waffer Sobremesa
Feira de Natal de Speyer
Quem resiste a bom churrasco?












Ainda deu tempo de dar uma voltinha pela cidade, um pouco diferente de outras que já conheci. A Maximilianstrasse, é rua principal da cidade, a mesma onde acontece a feira de Natal, é bastante larga e agradável. Mesmo em pouco tempo se sente uma vida cultural bem rica na cidade, com museus e artistas de rua. É um lugar que definitivamente valeria a pena voltar  para aproveitar um dia de sol. 


Worms

Catedral de Worms
Esta é uma das mais antigas cidades da Alemanha, onde ocorreu a célebre dieta de Worms. Mas o que seria essa tal dieta? Foi uma assembléia realizada na cidade em 1520, a pedido do imperador Carlos V, em que Martin Lutero foi intimado  a dar explicações sobre os seus livros em que criticava vários dogmas e práticas comum da Igreja Católica na época. Perguntado se confirmava todos os pensamentos contidos nos livros, Lutero reafirmou tudo o que já havia dito e escrito, causando uma verdadeira revolução na sociedade medieval. Esses acontecimentos culminaram com sua excomunhão da Igreja Católica e condenação à morte. Mas Lutero foi protegido pelos príncipes adeptos de suas idéias e acabou liderando o movimento da Reforma da Igreja católica, que deu origem ao protestantismo, uma das religiões mais praticadas do mundo, especialmente na Alemanha.


A Catedral de Worms, dedicada a São Pedro, é cerca de cem ano mais nova, e por isso, apresenta mais traços góticos do que as suas irmãs em Speyer e Mainz, mas nem por isso tem sua importância reduzida. Se você tiver tempo, observe os resquícios da antiga muralha e o interessante cemitério judeu nos arredores da cidade.
Catedral de Worms



MarktPlatz

Oppenheim

Entre Woms e Mainz, encontra-se uma interessante região para os amantes do vinho. Ao longo da estrada, margeando o Reno, encontram-se imensas vinícolas.  Uma das cidades mais belas desse trecho é Oppenheim. Pequena cidade de pouco mais de 7000 mil habitantes, fica às margens do rio Reno e tem relevo acidentado. Entre suas principais atrações estão a igreja de St Catharina, as ruínas do antigo castelo e suas fortificações como a torre do relógio. Infelizmente, devido a sua complexa geografia e pequenas dimensões, a cidade não pareceu oferecer uma boa infra estrutura turística. Para se ter uma idéia, nem o GPS conseguiu localizar as principais atrações nas ladeiras do centro histórico. Com o tempo apertado para chegar em Mainz, não foi possível explorar melhor o que a região tem a oferecer, mas fica a dica de uma cidade como referência próxima à rota do vinho alemã.


Vinicolas do Reno


Região dos vinhos
Torre do Relógio


Mainz

Cripta da KaiserDom
Mainz, na confluência dos rios Reno e Main, é a capital da Renânia e o centro econômico da região. A altstadt,  bastante danificada na 2ª Grande Guerra, está repleta de construções históricas e também de modernas lojas de departamento.

No centro está também  a KaiserDom, dedicada a St Martin e St Stephen, a terceira das catedrais românicas da região, que assim como a de Speyer possui mais de 1000 anos de existência e seis torres que impressionam. Bem próximo à Catedral, encontra-se o Museu de Guttenberg, filho ilustre da cidade, inventor da tipografia moderna. O museu  abriga um dos últimos exemplares da Bíblia de Guttenberg de 42 linhas, o primeiro livro impresso do mundo. Um pouco mais afastado do centro está a belíssima Igreja de St Stephan, de 1267, cujos vitrais elaborados pelo artista israelense Chagall são de uma beleza estonteante. Mainz também é um importante porto fluvial, de onde saem vários cruzeiros turísticos pelo rio Reno e Mainz.





Detalhe Altar St Martin

Panorâmica da nave interior da Catedral (altar de St Stephen)


Igreja de St Stephen e vitrais de Chagall

Avaliação Final



As três catedrais românicas são por si só um grande atrativo da região, contendo mais de um milênio de história encerradas nas suas torres e paredes, que mais parecem muralhas medievais. A região oferece também agradáveis vistas e passeios para os amantes do vinho e dos castekis ao longo das margens do Reno. Ao Sul de Speyer, encontra-se a famosa Rota dos Vinhos alemã, enquanto ao norte de Mainz, o passeio de barco no rio Reno oferece deslumbrantes vistas de castelos e da exuberante natureza , principalmente no trecho entre Rudeshein. Porém, esses trechos ficarão para outra vez, pois de Mainz seguiremos a Frankfurt, para o tão aguardado Reveillon na Alemanha.

Dicas


  • KaiserDom de Speyer
  • KaiserDom de Worms
  • KaiserDom de Mainz
  • Museu de Guttenberg
  • Karstadt